METODOLOGIA DO DLIS | VERSÃO 2007
Augusto de Franco (02/07/07)
Esta seria a ‘Versão 2007’ da metodologia do DLIS – Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável. Há mais de quatro anos, porém, a marca ‘DLIS’ não é enfatizada no Brasil. Adota-se apenas o nome genérico ‘DL’ – Desenvolvimento Local, para evitar problemas com aqueles que podem ver na sigla algum tipo de continuidade com programas elaborados e executados durante os mandatos do governo federal anterior. (Fazer o quê? Temos que ter uma paciência infinita com os que ainda estão na adolescência política). Está assim disponibilizada mais uma versão da metodologia de indução do desenvolvimento local por meio do investimento em capital social. Não é um programa proprietário. É um software livre. Pode ser usado, transferido, emprestado, vendido, modificado... Faça bom proveito.
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O DLIS hoje é mais uma espécie de “filosofia” de promoção do desenvolvimento humano e social sustentável por meio do investimento em capital social – priorizando a articulação e animação de redes sociais distribuídas (P2P) e a democratização das relações na base da sociedade e no quotidiano do cidadão – do que simplesmente uma metodologia stricto sensu.
Capital social é um recurso para o desenvolvimento aventado para explicar por que certos conjuntos humanos conseguem criar ambientes favoráveis à boa governança, à prosperidade econômica e à expansão de uma cultura cívica capaz de melhorar as suas condições de convivência social.
A metodologia do desenvolvimento local por meio do investimento em capital social se baseia na idéia de que o capital social depende, fundamentalmente, de duas coisas: das redes sociais (que ligam horizontalmente pessoas-com-pessoas, peer-to-peer, ou P2P) e da democracia (na base da sociedade e no quotidiano do cidadão).
A versão 2007 dessa metodologia compreende um conjunto de oito passos:
Primeiro Passo – Instalação da Equipe de Articulação da Rede
Segundo Passo – Articulação da Rede (Local)
Terceiro Passo – Seminário Visão de Futuro
Quarto Passo – Pesquisa Diagnóstico dos Ativos e Necessidades
Quinto Passo – Elaboração do Plano (Horizonte 10 anos)
Sexto Passo – Agenda Local (1 ano)
Sétimo Passo – Pacto Local em torno da Agenda
Oitavo Passo – Realização da Agenda (começando por um Projeto Demonstrativo)
Essa metodologia está formatada para localidades com até 50 mil habitantes.
QUESTÕES PARA DISCUSSÃO
1 – O que impede o desenvolvimento das localidades?
a) A falta de recursos.
b) A falta de vontade política dos governos.
c) A falta de responsabilidade dos líderes governamentais empresariais e sociais.
d) A falta de uma elite que tenha condições de desencadear um processo de indução ao desenvolvimento.
d) O fato das forças criativas e empreendedoras da sociedade local estarem em estado latente (e se essas forças não puderem ser dinamizadas, não será qualquer metodologia ou tecnologia de indução que conseguirá promover o desenvolvimento local).
e) São as obstruções na rede social que impedem o desenvolvimento, sobretudo aquelas introduzidas pelo sistema político: a centralização e a descentralização (ou multicentralização), a autocracia ou a democracia com alto grau de antagonismo (e o clima adversarial instalado na base da sociedade), o clientelismo e o assistencialismo. Em certo sentido bastaria remover tais obstáculos ao livre fluir na rede social para que começassem a brotar as iniciativas de desenvolvimento, para que o campo social começasse a se tornar empoderante dos indivíduos e para que as pessoas, coletivamente, começassem a exercer o seu protagonismo.
f) Todas as alternativas anteriores.
g) Nenhuma das alternativas anteriores.
2 – Qual o papel das “boas práticas” como incentivo ao desenvolvimento local?
a) Bons exemplos de desenvolvimento de outras localidades, cumprem, por certo, um papel animador, mostram que é possível superar os obstáculos e são capazes de contagiar as pessoas, favorecendo sua mobilização em prol do desenvolvimento da sua localidade.
b) Bons exemplos de desenvolvimento de uma localidade, em geral não servem como modelo de desenvolvimento para outras localidades, pois cada desenvolvimento local é único nas suas características e no seu processo de indução.
c) As chamadas “boas práticas” são, em boa parte, “flores de estufa”: uma maravilha... na estufa! Quando a gente sai do ambiente cuidadosamente preparado para que floresçam, elas costumam fenecer.
d) Nenhuma das alternativas anteriores.
3 – Ainda sobre as boas-práticas (“best practices”):
a) Muitos agentes indutores do desenvolvimento querem interferir o máximo que podem na vida das localidades, aplicando a sua receita de como as pessoas devem caminhar para se desenvolver. Assim, quando encontram uma coletividade capaz de seguir o seu receituário metodológico, ficam tão felizes que resolvem promover aquela experiência à condição de uma “best practice” (dando a impressão de que, na verdade, eles querem premiar mais a si mesmos, do que à sociedade-cobaia dos seus experimentos).
b) Trata-se de um mito. Não existem as tais boas-práticas, não, pelo menos, com o sentido que em geral se atribui à expressão: o de resultado da aplicação de uma correta metodologia, pois toda experiência de desenvolvimento local é única, em geral intransferível, quase nunca replicável.
c) Todas as práticas de desenvolvimento local são boas, desde que contem com o essencial: articulem e animem redes sociais e favoreçam a democracia na base da sociedade, no quotidiano do cidadão. Rede e democracia: para quem quer promover o desenvolvimento por meio do investimento em capital social, aqui se resume tudo!
d) Todas as alternativas anteriores.
e) Nenhuma das alternativas anteriores.
4 – A alternativa (c) da questão anterior (3) afirma que para quem quer promover o desenvolvimento por meio do investimento em capital social, tudo se resume à rede e democracia. O que significa isso?
a) Essa é uma afirmativa inconsistente que, a princípio, não significa nada em termos de desenvolvimento, pois os fatores principais do desenvolvimento não são ‘rede e democracia’ e sim a disponibilidade de capitais: stricto sensu, como o capital físico e o capital financeiro; e latu sensu, como o capital natural, o capital humano e o capital social.
b) Significa que os indicadores de desenvolvimento que de fato contam são os seguintes: 1) REDE, significando “netweaving”: mais conexões, menor extensão característica de caminho, menor comprimento de corrente, menor grau de separação, mais topologia distribuída; e 2) DEMOCRACIA, significando: mais participação voluntária dos cidadãos, mais parcerias e negócios, menos oferta pronta de programas que vêm do alto, mais cooperação e menos disputa, quer dizer, menos clima adversarial, menos assembleísmo e reivindicacionismo e mais pro-ativismo.
c) Significa que todas as experiências de desenvolvimento local que ajudam a tecer redes sociais e envolvem a participação democrática da sociedade (sobretudo aquela participação típica do voluntariado) constituem boas-práticas.
d) Nenhuma das alternativas anteriores.
5 – Como deveríamos avaliar o trabalho de indução do desenvolvimento local?
a) Construindo indicadores capazes de revelar o impacto (ou a efetividade) das ações resultantes desse processo em termos de melhoria das condições de vida da população.
b) Em relação à alternativa anterior (a), não basta verificar a melhoria das condições de vida da população, sendo necessário verificar também a melhoria das suas condições de convivência social.
c) Montando complexos sistemas de monitoramento e avaliação de desempenho e impacto dos programas de indução do desenvolvimento local.
d) Bastaria medir o número de parcerias em ações em prol de objetivos comuns e medir o número de voluntários envolvidos nessas ações.
e) Nenhuma das anteriores.
6 – Como saber qual é a melhor metodologia de indução do desenvolvimento local?
a) Observando o benchmarking (a busca pelas melhores práticas que conduzem à maximização da performance das metodologias disponíveis no mercado).
b) Toda metodologia é boa, desde que favoreça as redes e a democracia.
c) As metodologias são boas quando pudermos nos desfazer delas; ou, em outras palavras, são tão boas quanto mais fácil for aposentá-las ou descartá-las.
d) Não existe metodologia capaz de produzir um “milagre”, independentemente do milagre do desenvolvimento local, que é sempre o milagre da afirmação de uma nova identidade no mundo por meio da emergência, da irrupção espontânea de uma nova ordem de baixo para cima a partir da cooperação (e esse é o coração da idéia de capital social).
d) Nenhuma das anteriores.
7 – Qual o papel principal das metodologias de indução ao desenvolvimento local?
a) Oferecer um guia ou um roteiro de ações para desencadear o processo endógeno de desenvolvimento local.
b) Propiciar uma comunicação com a rede social que existe em cada localidade independentemente de nossos esforços organizativos, favorecendo a eclosão de fenômenos sociais que não podemos inventar ou introduzir a partir de uma intervenção de cima para baixo.
c) Ser um programa aberto que permita modificações, pois que toda metodologia deve ser recriada quando aplicada; ou, em outras palavras, nunca uma metodologia é aplicada do mesmo jeito em duas localidades.
d) O papel da metodologia não é o de aprisionar a sociedade local num esquema – uma seqüência de passos ou estações no caminho ou um conjunto de novas instituições ou normas – e sim o de libertá-la daqueles esquemas e daquelas rotinas e daquelas normas que estavam impedindo que ela caminhasse para onde quisesse.
d) Todas as alternativas anteriores.
e) Nenhuma das alternativas anteriores.
8 – Quais são os resultados imediatos e concretos do processo de indução ao desenvolvimento?
a) É possível que mudanças significativas em termos de boa governança e prosperidade econômica – os dois resultados mais visíveis e desejados do desenvolvimento – aconteçam logo, antes mesmo do que esperavam os que aplicaram a metodologia de indução do desenvolvimento local. (Ou, ainda, talvez surjam mudanças menores e setoriais, porém carregadas de forte conteúdo simbólico. Uma pequena cidade, cuja paisagem urbana parece desolada, de repente resolve plantar uma árvore para cada criança que nasce e apenas esse gesto, tão simples num primeiro momento, é capaz de animar e expressar uma mudança na auto-estima e na compreensão da necessidade de construir um novo ambiente favorável às mudanças sociais na direção do desenvolvimento sustentável. Quem sabe?)
b) Não existe um resultado concreto imediato em termos do tempo da indução metodológica ou do tempo da instituição que promoveu a aplicação de determinada metodologia: todos os resultados ocorrem no tempo da sociedade real, quer dizer, daquela rede social que existe na localidade.
c) Em geral, o resultado do esforço de indução do desenvolvimento não pode ser diretamente relacionado com o processo de indução (se puder, temos um problema; ‘os verdadeiros barcos balançam’, de forma imprevisível pelos seus construtores).
d) O objetivo da indução do desenvolvimento local é ensejar a construção de uma comunidade de projeto. Libertada da metodologia, uma comunidade de projeto caminhará para onde bem entender e fará o que bem entender, no seu tempo próprio.
e) Se houve aumento da conectividade da rede social e se houve incremento na participação democrática dos cidadãos, então algo de muito, muito profundo aconteceu e certamente dará frutos, talvez não aqueles que imaginavam as instituições que aplicaram a metodologia de indução do desenvolvimento local e nem no tempo que queriam (e talvez esses frutos só apareçam na próxima geração; ou quando um grupo de jovens que participou das atividades começar a assumir determinadas funções públicas ou privadas naquela sociedade; quem sabe o que acontecerá?).
f) Nenhuma das alternativas anteriores.
9 – Como (e quando) saber o que acontecerá em um processo de indução do desenvolvimento local?
a) A rigor não sabemos, ninguém sabe o que pode acontecer em uma comunidade onde lideranças resolveram se dedicar a induzir o desenvolvimento.
b) Não podemos saber porque não existe receita (não existe uma fórmula aplicável a várias situações).
c) Localidades consideradas desenvolvidas não viraram o que são da noite para o dia: levaram pelo menos uma geração percorrendo o caminho e só o percorreram a contento porquanto existiram pessoas, em tais localidades, que se sentiram empoderadas (pela rede social) o suficiente para ousar, para inventar, para inovar, para sonhar e correr atrás dos próprios sonhos, para arriscar, enfim, para empreender).
d) Em geral os lugares que se tornaram famosos por terem dado um sobrepasso, um salto notável no seu processo de desenvolvimento, são aqueles que não ficaram dependendo de governos paternalistas, nem de outras instituições que quiseram adotá-las. Foram em frente, acertando e errando – mais errando do que acertando, por incrível que pareça – mas, sobretudo, aprendendo com seus erros. Se não deixássemos as comunidades de projeto que se formaram nessas localidades aprender por si mesmas, se quiséssemos protegê-las de seus erros, certamente elas não teriam se desenvolvido; ou, pelo menos, não teriam conseguido se fazer reconhecidas em virtude da “fórmula”, inédita, que descobriram por si e para si.
e) Nenhuma das alternativas anteriores.
Primeiro Passo – Instalação da Equipe de Articulação da Rede
A Equipe de Articulação da Rede será a Coordenação do Projeto na localidade escolhida.
Essa Coordenação deve contar com voluntários que moram ou trabalham na localidade escolhida. É importante que dela participem membros do governo local, da iniciativa privada e das organizações da sociedade.
A Equipe de Articulação da Rede (a Coordenação do Projeto) deverá contar, no mínimo, com três pessoas. O ideal é que consiga reunir umas 8 a 11 pessoas. Durante a implantação do projeto essa equipe poderá ser ampliada de sorte a reunir umas 20 pessoas.
A Coordenação do Projeto deverá ser capacitada na presente metodologia de indução do desenvolvimento local.
QUESTÕES PARA DISCUSSÃO
10 – A metodologia recomenda que a Equipe de Articulação, em cada localidade, deva contar com voluntários que moram e trabalham na localidade escolhida. Por que?
a) Porque em geral faltam recursos para contratar técnicos capazes de coordenar tal projeto.
b) Porque se não existir, na localidade, gente disposta a cumprir voluntariamente tal função, então é sinal de que dificilmente será possível aplicar o projeto na localidade escolhida.
c) Porque a indução do desenvolvimento local precisa da “energia” do voluntariado, que é de qualidade diferente daquela que podemos obter com o trabalho que é feito em troca de remuneração.
d) Na verdade, a metodologia do desenvolvimento local não recomenda que não possa haver gente remunerada e sim que deve existir gente da própria localidade interessada a tal ponto no trabalho que se disponha a participar voluntariamente.
e) Nenhuma das alternativas anteriores.
11 – A metodologia recomenda que participem da Equipe de Articulação da Rede, em cada localidade, membros do governo local, da iniciativa privada e de organizações da sociedade civil. Qual a razão para essa recomendação?
a) Juntar as forças de todos os setores, aumentando as chances de sucesso do projeto.
b) Facilitar o acesso às esferas de decisão política (governo) e aos recursos (que poderão ser aportados pelos empresários).
c) Promover sinergias entre três tipos diferentes de agenciamento (o Estado, ou primeiro setor; o mercado, ou segundo setor; e a sociedade civil, ou terceiro setor), multiplicando com isso a capacidade dessas esferas da realidade social de promover o desenvolvimento.
d) Integrar modos-de-fazer e competências diferentes, potencializando a capacidade de indução do desenvolvimento.
e) Todas as alternativas anteriores.
f) Nenhuma das alternativas anteriores.
12 – Qual é o objetivo principal da capacitação da Equipe de Articulação da Rede)?
a) Possibilitar que seus membros sejam capazes de aplicar corretamente a metodologia.
b) Possibilitar que seus membros sejam capazes de adaptar a metodologia às condições particulares da localidade escolhida (recriando ou estabelecendo novas seqüências de passos se necessário).
c) Sensibilizar os participantes sobre a importância do desenvolvimento local.
d) Possibilitar que seus membros compreendam os fundamentos do desenvolvimento local.
e) Formar verdadeiros agentes de desenvolvimento.
e) Todas as alternativas anteriores.
f) Nenhuma das alternativas anteriores.
13 – Qual é o papel principal dos agentes de desenvolvimento?
a) Aplicar corretamente a metodologia de indução do desenvolvimento local.
b) Orientar a comunidade num rumo certo, ensinando-a a percorrer o caminho que a levará ao seu desenvolvimento.
c) Deixar a comunidade caminhar (e caminhar com ela) ou, em outras palavras - deixar que ela possa aprender (e aprender com ela).
d) Fazer tudo o que estiver ao seu alcance para trazer recursos para a comunidade e para promover o seu desenvolvimento.
e) Contribuir para desamarrar as forças criativas e empreendedoras que estão presentes em qualquer sociedade (pois são essas forças que podem promover o desenvolvimento endógeno).
f) Nenhuma das alternativas anteriores.
Segundo Passo – Articulação da Rede (Local)
A Rede (Local) também pode ser chamada de Rede do Desenvolvimento Comunitário. Ela deve buscar conectar todos os participantes de programas de desenvolvimento, governamentais ou não-governamentais, que existam na localidade. Mas não deve se restringir a tais pessoas; pelo contrário: deve ser ampliada com todos aqueles que quiserem colaborar com o trabalho.
Atenção: trata-se de uma rede de pessoas, não de entidades, instituições ou organizações.
Deve-se buscar conectar um número mínimo de pessoas em cada localidade: este número corresponde a 1% das pessoas da localidade. Assim, se a localidade escolhida for um município de 40 mil habitantes, a rede deve contar com 400 participantes conectados; se for um bairro com 5 mil habitantes, a rede deve ter 50 participantes conectados, no mínimo. Não se conseguirá atingir essa meta de uma vez. A identificação e a conexão das lideranças de cada localidade é uma tarefa contínua. No entanto, não é necessário conectar todas as pessoas para começar a implantar o projeto.
Dentro desse número mínimo devem estar os hubs, os inovadores e os netweavers. Isso exige um levantamento prévio de quem são as pessoas que devem ser procuradas.
Para começar a conectar as lideranças em cada localidade a Equipe de Articulação da Rede deve fazer um plano de trabalho que compreende:
1 – A identificação das lideranças governamentais, empresariais e da sociedade civil (considerando todo o universo de possíveis atores-parceiros: associações representativas; clubes de serviço; conselhos de políticas públicas; empresas; escolas e universidades; fóruns e agências de desenvolvimento; instituições religiosas; juízes e promotores; governo e parlamento, meios de comunicação; ONGs, fundações, institutos, centros de estudo e pesquisa; sindicatos; e, sobretudo, cidadãos que se dedicam ao trabalho voluntário). É importante não esquecer que essas instituições devem ser listadas para que se possa ter acesso às pessoas que delas participam.
2 – Visitas pessoais a essas lideranças com a distribuição do folder do projeto e de outros materiais de divulgação.
3 – Convites para participar de atividades do projeto na localidade.
4 – A obtenção da adesão voluntária, porém formal, de cada liderança, à Rede do Desenvolvimento Comunitário da localidade, com o preenchimento de um cadastro, com endereço completo para futuras visitas e para envio de correspondência e e-mails).
Articular a Rede (Local) não é só a primeira, senão a principal tarefa da Equipe de Articulação. Trata-se de um trabalho árduo de identificação das principais lideranças governamentais, empresariais e da sociedade civil em cada localidade e, depois, de sedução dessas lideranças para que venham a participar da Rede, a qual deverá ser continuamente animada e informada do andamento do processo, capacitada e chamada a participar das ações que serão realizadas. Se esse trabalho não for bem feito, as Equipes de Articulação correm o risco de ficar isoladas da população, perdendo a capacidade de disseminar o projeto e contagiar a população.
ORIENTAÇÕES PARA A ANIMAÇÃO DAS REDES (LOCAIS)
A rede é o meio, o ambiente - não produz efeitos por si mesma, independentemente dos estímulos que recebe. Seu papel é amplificar os estímulos e, em certo sentido, transformá-los ao recombiná-los em inúmeras variações, reverberando, pulsando, para estabelecer uma regulação emergente.
Sendo assim, é necessário animar a rede, provocá-la, abastecê-la com estímulos que ensejem a sua atuação regulatória, dando pretexto, aos seus nodos, para estabelecer novos caminhos, novas conexões, por onde trafegarão novas mensagens.
Isso significa que, se quisermos articular uma rede e induzir a sua expansão, temos que ter uma pauta de ações regulares de animação da rede. Essas ações - e isso é, sem dúvida, o mais importante - devem ser sistemáticas, repetitivas, iteradas (de 'iteração', a repetição ad nauseam de uma mesma operação). Além disso, é necessário fornecer "finalidades iniciais" (a expressão, conquanto aparentemente contraditória, quer dizer que as pessoas devem se mobilizar na rede em torno de um propósito declarado, que elas sejam capazes de entender, mas que não será, provavelmente, o resultado que obterão; ou seja, as "finalidades finais" serão construídas pela dinâmica da rede).
Para a Rede (Local) qualquer pauta de animação deverá traduzir, em indicações pedagógicas, as seguintes orientações derivadas do conhecimento que já se tem sobre a estrutura e a dinâmica das redes:
1 – Os membros da Equipe de Articulação devem dizer abertamente que o Projeto precisa de um número mínimo de voluntários conectados para acontecer, para poder funcionar. E que, quanto mais pessoas forem conectadas, mais sucesso a iniciativa terá, mais "forte" ela ficará. Esse número mínimo deve ser estabelecido em cada localidade, não podendo ser menor do que 1% da população da localidade.
2 - Os conectados devem receber regularmente uma mensagem da Equipe de Articulação. O importante é a regularidade, que não deve ser quebrada. Também é importante que essa mensagem, na forma de um boletim ou comunicado seja personalizado, dirigido sempre a uma pessoa, com nome e sobrenome - e, se possível, com o nome da pessoa que enviou. É desejável que esse boletim ou comunicado seja impresso (ou duplicado por copiadora) para que possa ser entregue de mão-em-mão, estimulando a conexão P2P. O boletim ou comunicado da Equipe de Articulação conterá notícias sobre o que está acontecendo, os próximos eventos, os avanços na expansão da Rede etc.
3 - O telefone (e o "torpedo" celular) devem ser usados sistematicamente para a comunicação na Rede. As pessoas conectadas devem receber ligações telefônicas dos membros da Equipe de Articulação, quando menos para bater-papo ou para perguntar como vai passando, o que está pensando sobre algum assunto, para convidar para uma festa, para um evento... Sim, é isso mesmo: conexão é relacionamento. Articular e animar a Rede é aumentar os relacionamentos entre as pessoas! Pelo menos um telefonema semanal é desejável: "Olá, como vai? Eu vou indo e você? Tudo bem?" Na rede estamos fazendo novos amigos, no sentido da "amizade política".
4 - Para os que têm acesso à Internet, um site ou blog da Rede (Local) será um ótimo instrumento, desde que seja atualizado regularmente (o ideal seria diariamente), com informações sobre o andamento do projeto, notícias e artigos.
5 - A conexão de novas pessoas à Rede é uma forma de animação da rede. Para tanto, deve ser reproduzido um formulário do Termo de Conexão (com uma explicação do que se trata no verso ou a chamada 'Carta de Princípios') em cada localidade, em grande quantidade. Cada membro já conectado à rede deve receber uma quantidade de folhetos do projeto, juntamente com formulários de conexão à rede. Sua tarefa inicial é conectar - pessoalmente - mais um número de pessoas (a ser definido pela Equipe de Articulação), entregando a cada uma o material e efetivando sua formalmente sua conexão.
6 – A Equipe de Articulação deve ser ampliada com mais algumas pessoas (o ideal seria umas vinte pessoas) para dividir o trabalho de animação da rede na localidade e de implantação do projeto, promovendo encontros semanais e outros eventos, inclusive festivos.
7 - Deve-se promover uma capacitação sobre redes para os potenciais animadores (netweavers) que surgirem nas localidades.
ORIENTAÇÕES IMPORTANTES PARA NETWEAVING
1 - Ter sempre campanhas e metas | As campanhas podem ser propostas em torno de alguma ação coletiva que deverá ser realizada. Então, tendo o objetivo claro (a "finalidade inicial"), será possível conectar mais pessoas na rede para atingir tal objetivo. Deve-se estabelecer uma meta quantificável como, por exemplo, a de que precisamos chegar a 'N' conectados na rede em cada região para ter uma boa difusão da campanha.
2 - Ter sempre devolução ou retorno | Qualquer ação coletiva proposta à rede e realizada por ela deve ser registrada e a informação deve ser devolvida à rede. Esse deve ser um processo permanente, recorrente, sistemático. O ideal é que os participantes conectados à rede recebam semanalmente alguma mensagem, como já foi dito acima. Os intervalos devem ser regulares e não deve haver falha nessa regularidade: 'Guta Cavat Lapidem' (“água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”) é o lema aqui.
3 - Estimular sempre a conexão P2P | A rede deve ser usada para divulgar as informações. Cada conectado à rede deve ser um nodo e um elo de ligação, simultaneamente um centro de recebimento e de difusão. Portanto, ao invés de distribuir massivamente um produto qualquer - um documento, uma cartilha, um jornal - é necessário estimular a replicação "por dentro" da rede. É necessário que as pessoas já conectadas à rede recebam vários exemplares de um material para distribuir para outras pessoas, da rede ou não (aproveitando a oportunidade para fazer novas conexões).
4 - A articulação da rede é permanente | A rede é uma estrutura móvel e não fixa. Isso quer dizer que, a cada instante, o mapa da rede, o seu "retrato", será diferente (o que se chamava de "instantâneo"). Muitas pessoas sairão (ou se afastarão, enfraquecendo sua conexão) enquanto que outras pessoas entrarão. Nada disso pode ser julgado como sucesso ou fracasso da articulação da rede. A rede é assim mesmo: não é apenas uma estrutura no espaço, mas também uma arquitetura no tempo. O 'território' da rede é um campo (no sentido em que as ciências físicas empregam o termo, como campo eletromagnético, campo gravitacional), um espaço-tempo de fluxos. Portanto, o esforço de articular a rede não cessa jamais. Novas conexões deverão estar sendo feitas permanentemente, usando pretextos diversos e motivos os mais variados.
5 - A rede é supreendente | Como disse Heráclito de Éfeso, que falava sobre fluxos: "Espere o inesperado ou você não o encontrará". Não adianta articular uma rede como uma forma instrumental de controle e condução das pessoas, para levá-las a cumprir uma tarefa que desejamos. A rede não é uma forma de organização adequada para tal. Se for este o caso, é melhor organizar "células" ou "núcleos" sob nossa direção (mas neste caso se tratará, obviamente, de hierarquia e não de rede propriamente dita, quer dizer, de rede distribuída). Só deveremos articular redes se estivermos dispostos a ser surpreendidos com inovações, com a realização de coisas que não imaginamos e nem desejamos de antemão; com inovações que podem, inclusive, modificar as nossas intenções originais.
6 - A rede não é uma rede de pescar | A rede não pode ser usada com sucesso para “pegar peixinhos”, para recrutar pessoas para uma organização vertical, montada segundo um processo top down. A rede produz, sim, organização, mas em um processo bottom up, gerando ordem espontaneamente a partir da cooperação. Se quisermos usar a rede instrumentalmente para recrutar militantes, poderemos até ter um aparente sucesso ao conseguir inchar uma organização urdida segundo padrões tradicionais, chamada, neste caso (impropriamente) de "rede", mas não conseguiremos constelar condições para que os fenômenos próprios da rede se precipitem. Quem organiza militantes, conta apenas com aquele contingente que organizou, cuja força é necessariamente limitada; quem articula redes, pode vir a contar com forças insuspeitadas, com mudanças súbitas de comportamento, como o swarming, por exemplo.
QUESTÕES PARA DISCUSSÃO
14 – Qual a necessidade de montar uma rede de pessoas para implementar um projeto de desenvolvimento local?
a) A rigor essa necessidade não existe. Trata-se, apenas, de uma escolha metodológica.
b) Trata-se, sim, de uma escolha metodológica, mas, uma vez escolhida uma metodologia de indução do desenvolvimento local baseada no investimento em capital social, articular e animar redes sociais – como sujeitos do processo de desenvolvimento – passa a ser uma necessidade (na medida em que capital social é a mesma coisa que rede social).
c) Existem fundadas evidências de que se o sujeito do processo de desenvolvimento não está suficientemente enraizado, capilarizado, na sociedade local, torna-se muito difícil implementar projetos de desenvolvimento local que contem com uma participação significativa da população (e as redes sociais viabilizam esse enraizamento ou essa capilaridade).
d) Nenhuma das alternativas anteriores.
15 – Por que as redes propostas pela metodologia devem ser redes de pessoas e não de instituições (entidades ou organizações, como conselhos, órgãos públicos, empresas, associações, ONGs, fóruns e agências de desenvolvimento)?
a) Não há qualquer razão substantiva para tanto: trata-se apenas de uma escolha metodológica.
b) Pois é. Trata-se de um problema da metodologia escolhida, pois desconhece a organização já existente da sociedade local, passando por cima dessas mediações orgânicas e dessas formas de sociabilidade institucionalizadas e, assim, enfraquecendo ao invés de fortalecer o processo de indução do desenvolvimento local.
c) Porque redes sociais propriamente ditas são sempre redes de pessoas (ou redes de redes de pessoas, o que é a mesma coisa). Organizações hierárquicas conectadas em rede causam anisotropias no espaço-tempo dos fluxos, introduzindo dinâmicas e alterações morfológicas que dificultam o livre trânsito de mensagens e filtram ou obstruem mensagens de acordo com os desideratos impostos por seus propósitos particulares ou pelos procedimentos decorrentes e de suas “lógicas” organizativas.
d) Nenhuma das alternativas anteriores.
16 – Qual a necessidade de conectar pelo menos 1% das pessoas de uma localidade na Rede do Desenvolvimento Comunitário?
a) A rigor tal necessidade não existe. Trata-se, apenas, de uma definição metodológica arbitrária.
b) Trata-se de uma recomendação para evitar o conhecido isolamento das coordenações de projetos do restante da população, fenômeno muito comum nos processos de indução ao desenvolvimento local.
c) Existem evidências de que, dentro de certos limites (para localidades com menos de 50 mil habitantes) e sob determinadas condições (dadas pela presença dos hubs, dos inovadores e dos netweavers), 1% das pessoas conectadas em uma rede P2P reduzem drasticamente a extensão característica de caminho da sociedade local (ou seja, diminuem os graus de separação, ensejando que um nodo da rede possa chegar a outro nodo qualquer com apenas um grau de intermediação; em outras palavras, dentro dos limites considerados, 1% das pessoas de uma localidade, conectadas em rede, têm acesso praticamente imediato aos restantes 99%).
d) As evidências mencionadas na alternativa (c), acima, não são suficientes para assegurar que o fenômeno cogitado venha necessariamente a acontecer.
e) Nenhuma das alternativas anteriores.
17 – Em relação à questão anterior (16), por que se afirma que é necessário que os hubs, os inovadores e os netweavers estejam conectados na Rede do Desenvolvimento Comunitário para que o fenômeno de diminuição do tamanho (social) do mundo (‘Small World’) aconteça?
a) Porque, do ponto de vista das redes sociais, as pessoas mais importantes não são as mais famosas, não são os ícones da mídia, nem os colecionadores de diplomas e títulos conferidos pelas burocracias sacerdotais do conhecimento e sim os hubs, os inovadores e os netweavers.
b) Porque os hubs são os nodos da rede social muito conectados, os entroncamentos de fluxos. Um hub não é necessariamente alguém com grande popularidade ou notoriedade e sim alguém com muitas relações, que pode acessar – e ser acessado por – outros nodos com baixo grau de separação.
c) Porque em geral as pessoas confiam nos hubs.
d) Porque os inovadores emitem mensagens na rede que acabam produzindo mudanças de comportamento dos agentes (considerando a rede social como um sistema de agentes).
e) Porque os netweavers são animadores de redes, articuladores e empreendedores de uma nova política, de baixo para cima.
f) Todas as alternativas anteriores.
g) Nenhuma das alternativas anteriores.
18 – Qual a importância da participação dos políticos tradicionais nas redes de desenvolvimento comunitário?
a) É imprescindível que eles participem, pois senão as ações propostas não conseguirão o apoio necessário para se efetivar e o projeto pode fracassar.
b) É bom que eles participem, mas não é imprescindível.
c) É bom que eles participem, no entanto deve-se tomar cuidado para que eles não atrapalhem o funcionamento da rede, não queiram controlá-la ou utilizá-la instrumentalmente para se promover.
d) Nenhuma das alternativas anteriores.
19 – Se você marcou a alternativa (c) na questão anterior (18), como você explicaria esse comportamento dos políticos tradicionais?
a) Isso acontece porque os políticos tradicionais não são netweavers e sim, exatamente, o contrário disso: eles hierarquizam o tecido social, verticalizam as relações, introduzem centralizações, obstruem os caminhos, destroem conexões, derrubam pontes (ou fecham os atalhos que ligam um cluster a outros clusters, separando uma região da rede de outras regiões), excluem nodos; enfim, introduzem toda sorte de anisotropias no espaço-tempo dos fluxos.
b) Os políticos tradicionais se comportam assim porque o tipo de poder com o qual lidam – o poder, em suma, de mandar alguém fazer alguma coisa contra a sua vontade – é sempre o poder de obstruir, separar e excluir. E é o poder de introduzir intermediações ampliando o comprimento da corrente, dilatando a extensão característica de caminho da rede social ou aumentando os seus graus de separação (ou seja, diminuindo a conectividade).
c) Porque os políticos tradicionais funcionam, via de regra, como despachantes de recursos públicos, privatizando continuamente capital social.
d) Porque os políticos tradicionais são, em geral, anti-netweavers, na medida em que contribuem para tornar a rede social menos distribuída e mais centralizada ou descentralizada (isto é, multicentralizada).
e) Isso acontece porque todas as organizações políticas – mesmo no interior de regimes formalmente democráticos – têm topologia descentralizada (ou mais multicentralizada do que distribuída).
f) Na verdade, a “culpa” por esse comportamento “desenredante” não é dos políticos tradicionais individualmente. Eles são “produzidos” pelo próprio sistema político na medida em que esse sistema não está democratizado. Em outras palavras, quanto mais democratizado estiver o sistema político mais o agente político atuará como um netweaver; e vice-versa.
g) Todas as alternativas anteriores.
h) Nenhuma das alternativas anteriores.
20 – Por que motivo(s) as pessoas convidadas a se conectar na Rede do Desenvolvimento Comunitário aceitarão o convite, se não vão ser remuneradas para tanto, não adquirirão mais poder e não alcançarão o sucesso em termos individuais?
a) Porque muitas pessoas compreenderão que melhorando as condições de convivência social da localidade onde vivem ou trabalham, melhorarão também as suas condições de vida e as das suas famílias.
b) Porque o ser humano é recompensado emocionalmente quando coopera.
c) Porque as pessoas sentem (ou intuem de alguma forma), que seu sucesso tem a ver com uma vida plenamente realizada no encontro com os semelhantes (sem o que – presumem – não podem consumar a sua humanidade).
d) Porque a sociedade está mudando e o cidadão está emergindo como ator de uma maneira que antes não seria possível: o indivíduo que se transforma no cidadão conectado de uma sociedade civil que não mais se organiza apenas a partir de esquemas verticais de representação, está submetido a um novo fluxo de informações e conhecimentos – ele mesmo é um entroncamento, uma encruzilhada-nodo desses fluxos – mais velozes e densos do que jamais foi possível.
e) Porque estamos em transição para um outro tipo de sociedade civil, composta por cidadãos mais independentes e autônomos, que participam como indivíduos do debate público e de iniciativas cidadãs voluntárias.
f) Porque o cidadão que assume um papel de maior protagonismo na nova sociedade civil que está emergindo não é o clássico indivíduo do liberalismo – que se move fazendo escolhas racionais para maximizar a satisfação de seus interesses materiais egoístas – e sim o novo cidadão conectado a múltiplas redes sociais e que, não raro, participa de novas comunidades de prática, de aprendizagem e de projeto.
g) Todas as alternativas anteriores.
h) Nenhuma das alternativas anteriores.
21 – Não há o risco de que alguém controle as Redes de Desenvolvimento Comunitário?
a) Não há esse risco.
b) Sim, os que já controlam as organizações sociais tradicionais provavelmente também acabarão controlando, a partir do seu poder, da sua riqueza ou do seu maior conhecimento, as redes sociais.
c) Sim, mas a rede é uma oportunidade ótima para quebrar o poder das burocracias que controlam as organizações tradicionais.
d) Sim, há esse risco, por parte do velho sistema político que, em virtude da sua natureza de mainframe, confere aos que se postam nos seus múltiplos centros ou filtros, o poder de obstruir, separar e excluir (alterando a morfologia e a dinâmica da rede).
e) Nenhuma das alternativas anteriores.
22 – Afinal, qual a razão política para apostarmos nas redes?
a) O esforço de contribuir para a emergência de uma nova política, por meio da democratização (ou seja, de mais-democracia) está coimplicado no esforço de aumentar o grau de distribuição das redes sociais (e não na aposta no padrão organizativo centralizado ou multicentralizado dos chamamos movimentos sociais, corporações, sindicatos, associações ou outras formas tradicionais de arrebanhamento), o que significa enfocar e valorizar o cidadão desorganizado e conectado que compõe o imenso contingente da nova sociedade civil emergente neste dealbar do século 21.
b) Trata-se de abrir mão de replicar formas organizativas piramidais, verticais, baseadas no fluxo comando-execução. Ou seja, ao invés de engordar a velha burocracia corporativo-partidária e a nova burocracia associacionista (das ONGs, inclusive), apostar nas redes de pessoas, que conectem os tais 'cidadãos-desorganizados', uns com os outros, em prol de objetivos comuns, expandindo uma nova esfera pública não-estatal. Trata-se de mostrar, na prática, que o cidadão pode, sim, fazer política pública; que a sociedade pode tomar iniciativas coletivas, aumentando o seu protagonismo e o seu empreendedorismo.
c) Não há uma razão política prática para isso, pois, na verdade, ainda não é possível articular redes sociais que conectem pessoas com pessoas horizontalmente.
d) Nenhuma das alternativas anteriores.
23 – É possível realmente articular e manter em funcionamentos verdadeiras redes sociais P2P?
a) Ainda não. Nas circunstâncias do mundo atual o arcabouço institucional e jurídico-político inviabiliza a construção de verdadeiras redes horizontais de pessoas (sempre haverá alguém controlando tudo, a partir de um ou de vários centros).
b) Sim, já é possível mudar a forma como nos comportamos política e administrativamente em termos orgânicos: basta mudar a matriz de projetos, programas e ações governamentais e não-governamentais em todos os níveis. Tudo ou quase tudo que organizamos atualmente a partir do padrão-mainframe, pode ser reorganizado segundo um padrão-network, desde um programa de alfabetização de jovens até uma organização política.
c) Nenhuma das alternativas anteriores.
Terceiro Passo – Seminário Visão de Futuro
A segunda tarefa da Equipe de Articulação – que atua como Coordenação do Projeto – é realizar o Seminário Visão de Futuro. Esse seminário deverá ser feito em no mínimo 8 horas de trabalho em uma oficina especialmente dedicada ao assunto.
Nessa oficina, usando métodos participativos já largamente testados em iniciativas de desenvolvimento local, os participantes serão estimulados a sonhar um futuro desejado para a localidade tendo como horizonte estratégico o prazo de 10 anos.
É a partir desse seminário que será plantada a semente de uma comunidade de projeto em cada localidade. Uma vez elaborada participativamente uma visão de futuro coletiva pela Equipe de Articulação em cada localidade, esse sonho de futuro será compartilhado com a Rede do Desenvolvimento Comunitário respectiva para ser validado.
É aconselhável que esse trabalho seja feito pela Equipe de Articulação ampliada com a participação de mais pessoas já conectadas à rede (umas vinte pessoas é um bom número).
Em termos de planejamento o futuro vem antes do presente e a análise da situação presente é condicionada pela visão de futuro – filtramos a realidade a partir das nossas expectativas e, assim, pelo menos em parte, vemos o que queremos ver. Para realizar este terceiro passo, devemos usar atividades que estimulem trazer à tona os sonhos individuais e, depois, a construção coletiva do futuro, do sonho coletivo.
ORIENTAÇÕES PARA O SEMINÁRIO DE VISÃO DE FUTURO
Momento 1 – Peça que cada participante faça o seguinte exercício: “Em 10 anos a sua localidade será o lugar mais desenvolvido do mundo, o melhor lugar do mundo para se viver. Descreva como ela será”.
Momento 2 – Divida os participantes em grupos de 5 pessoas e peça que cada grupo realize o seguinte exercício: “A localidade deste grupo de pessoas será o lugar mais desenvolvido do mundo, o melhor lugar do mundo para se viver daqui a 10 anos. Como ela será?”
Cada grupo constrói uma cidade que é uma síntese dos sonhos individuais. É importante não excluir sonhos. O resultado de cada grupo deve ser descrito de maneira que os demais grupos possam visualizar esse futuro. Pode-se usar um cartaz ou um painel para registrar as apresentações.
Momento 3 – Após a apresentação dos grupos, os participantes devem construir um único painel, retratando a síntese de todos os sonhos. Como fazer isso? Sugere-se construir um painel novo, que nunca será igual a uma simples colagem dos cartazes de cada grupo.
Momento 4 – Debate sobre o resultados alcançados. Algumas perguntas orientadoras que podem animar tal debate: por que é importante projetar o futuro? Como incluir todos os sonhos? Por que o sonho de viver bem se confunde muitas vezes com meros sonhos de consumo? Esse futuro projetado pode ser alcançado?
Momento 5 – Conclusão. A tarefa deste primeiro seminário estará concluída quando as pessoas puderem dizer o que acontecerá no futuro como se estivessem contando uma história. É a história do futuro.
A história que você conta é a vida que você constrói. À medida que mais e mais pessoas contarem e repetirem a mesma história ela começará a acontecer (Elizabeth Cogburn, em um programa de radio da WBAI de Nova Iorque, que foi ao ar no início de maio de 1995, disse assim: “A história que você conta a si mesmo é a vida que você constrói. Escolha sabiamente a sua história. À medida que você conta a história, ela começa a acontecer”).
O produto concreto desse trabalho é um texto contando a “história do futuro” da localidade. Esse texto deve caber em menos de uma página.
Depois disso, é necessário validar, na Rede do Desenvolvimento Comunitário, a Visão de Futuro que resultou do trabalho.
VALIDAÇÃO DA VISÃO DE FUTURO NA REDE
Os participantes do Seminário Visão de Futuro terão a tarefa de procurar – de preferência pessoalmente – os conectados à Rede do Desenvolvimento Comunitário, levando um formulário com os seguintes elementos:
Resumo da “história do futuro” em meia página.
1 – Você concorda com essa Visão de Futuro para a sua localidade?
____ SIM
____ NÃO
2 – O que você gostaria de acrescentar (em termos do você gostaria que a sua localidade tivesse ou fosse daqui a dez anos, ou seja, em 2017)?
O resultado dessas consultas devem ser tabulados e sistematizados. A Equipe de Articulação fará então uma reunião para consolidar a visão validada pela rede.
NOVA VISÃO DO PASSADO
Com a Visão de Futuro validada, a Equipe de Articulação ampliada – com as mesmas pessoas que fizeram o Seminário Visão de Futuro – vai se reunir novamente para (re)rever o passado daquela localidade. Vai então tentar buscar, no passado, as sementes que, uma vez germinadas, poderão florescer como elementos constantes do futuro desejado.
Existe uma maneira bem prática de fazer isso, construindo uma linha do tempo, contendo o futuro e o passado e situando o hoje no passado. Trata-se de descobrir os drives, os fatores impulsionadores que poderiam ter sido dinamizados para produzir o futuro-antes da hora (como não foram, trata-se então de dinamizá-los a partir de agora). Isso pode ser, por exemplo, recuperar uma tradição que está fenecendo (um artesanato de raiz, por exemplo, que ficou restrito à memória de uma pessoa). Ou pode ser recuperar os conhecimentos relativos a um empreendimento que já funcionou na localidade e que hoje não está mais em atividade. Em suma, o trabalho é escolher no passado tudo o que pode ajudar a alcançar o futuro almejado, construindo então uma nova linha do tempo. A linha do tempo completa deverá ser apresentada à Rede de Desenvolvimento Comunitário.
QUESTÕES PARA DISCUSSÃO
24 – A Visão de Futuro não deveria vir depois do Diagnóstico?
a) Sim, isso seria o mais lógico, pois conhecendo os seus carecimentos e potencialidades, uma localidade poderia projetar melhor o seu futuro.
b) É comum nos processos de indução do desenvolvimento local o trabalho começar logo pelo diagnóstico das potencialidades, em geral pelas potencialidades econômicas da localidade enfocada. No entanto, a experiência mostrou que esse não é um bom caminho, porque a identificação dos ativos ou o levantamento das potencialidades existentes, bem como das necessidades e dos problemas e obstáculos ao desenvolvimento, depende da posição, da perspectiva e do conceito de si do observador, sobretudo quando esse observador é coletivo.
c) Não, uma coletividade que não vislumbrou um futuro novo tenderá a ver, no seu diagnóstico da realidade, aquilo que é indicado pelas opções tradicionais; por exemplo, em um pequeno município do interior tenderá a ver, apenas ou principalmente, as potencialidades latentes ligadas à agricultura ou à pecuária, ignorando outros “tesouros” escondidos em virtude da falta de uma visão de futuro que “puxe” o presente ou impeça que esse presente repita o passado.
d) Não, uma comunidade que não vislumbrou um novo futuro desejado, tenderá a ver como necessidades, que parecem sempre exigir o aporte de recursos exógenos, carecimentos que poderiam ser satisfeitos pela dinamização de ativos humanos e sociais que já possui, mas que não consegue identificar por falta de consciência de suas próprias potencialidades (o conceito de si), sendo assim levada a repetir as formas tradicionais pelas quais tais carecimentos costumavam ser satisfeitos “de cima” ou “de fora”.
e) Nenhuma das alternativas anteriores.
25 – Qual o principal objetivo da Visão de Futuro?
a) Construir um caminho para o futuro, que é o caminho do seu desenvolvimento.
b) Começar a formar uma comunidade de projeto, e nenhuma comunidade se forma sem compartilhar um futuro comum.
c) Chegar a um (novo) presente (isto é, a um presente que não seja repetição de passado) e, para tanto, é necessário, antes, passar pelo futuro. Se quisermos alterar alguma coisa no presente, temos que fazer uma viagem de ida e volta ao futuro.
d) Formar uma comunidade de projeto, mas nenhuma comunidade se forma sem recontar (ou reinterpretar) o seu passado. A leitura que uma coletividade qualquer faz do seu passado é determinante para indicar se essa coletividade atingiu ou não o status de comunidade de projeto. Em outras palavras, o passado deve ser (re)visto de uma determinada forma para produzir o futuro almejado (um futuro alternativo à repetição do passado no presente). Nele devem ser plantadas as sementes da alternativa que queremos ver florescer no futuro (ou, se quisermos usar uma imagem poética, nele deve ser implantada a “lenda” que se tornará realidade).
e) Todas as alternativas anteriores.
f) Nenhuma das alternativas anteriores.
26 – Por que o Seminário Visão de Futuro deve também contemplar uma (re)Visão do Passado?
a) Quem disse que deve? Isso é uma esquisitice da metodologia adotada. O passado já passou e nada do que fizermos poderá alterá-lo (a menos que acreditemos na máquina do tempo ou nas ficções de Hollywood, do tipo das que foram usadas nos filmes “De volta para o futuro” ou “Em algum lugar do passado”).
b) Porque não basta imaginar e desejar um futuro melhor para antecipá-lo por meio de ações concretas. É necessário também modificar o passado. Isso não significa inventar uma mentira sobre o passado. Mas significa que, se a visão do passado não for mudada, o velho passado, que está na cabeça das pessoas, vai ficar lá o tempo todo influenciando o seu comportamento. Porque o velho passado – que se chama tradição – é algo muito, muito mais poderoso do que imaginamos.
c) Porque para traçar o mapa do caminho para o futuro desejado é necessário, ao contrário do que se acredita, planejar o passado e contar a história do futuro. Em geral as pessoas fazem o inverso: querem contar a história do passado e planejar o futuro. Mas, ao contar a história do passado, qual a história que se conta? Aquela história que, ao divulgar uma determinada visão do passado, repete esse passado. Isso vai influenciar, decisivamente, o planejamento do futuro. Por mais que queiramos, se o velho passado se repetir, o futuro planejado não passará de uma continuidade com essa visão do passado.
d) Porque ao planejarmos o passado à luz de um novo futuro, imaginado sem comprometimento com a visão tradicional do passado, poderemos começar a contar uma história diferente do futuro. A história que você conta é a vida que você constrói. Se você começa a contar uma história diferente, alguma coisa diferente vai acontecer. Para fazer um mapa do caminho para um futuro diferente é preciso imaginar que esse futuro já existe e que se trata, tão somente, de antecipá-lo. Isso significa criar um novo futuro.
e) Nenhuma das alternativas anteriores.
Quarto Passo – Pesquisa Diagnóstico dos Ativos e Necessidades
A terceira tarefa da Equipe de Articulação é realizar a Pesquisa Diagnóstico dos Ativos e das Necessidades da sua localidade. A elaboração desse diagnóstico é uma tarefa prática, feita com trabalho de campo e muitas oficinas, lançando mão de metodologias participativas já consagradas. O Diagnóstico dos Ativos e das Necessidades será feito num prazo curto (não mais do que 30 dias) e em regime de trabalho concentrado. Novamente aqui, uma vez elaborado o diagnóstico pela Equipe de Articulação ampliada em cada localidade, ele será compartilhado com a Rede de Desenvolvimento Comunitário respectiva para ser validado.
Uma questão importante que deve ser levada em conta durante a realização da Pesquisa Diagnóstico dos Ativos e das Necessidades, é a de que existem muitos tipos de diagnósticos. Existem diagnósticos técnicos, feitos por especialistas e existem diagnósticos participativos, feitos pelos participantes de um programa ou projeto. A presente metodologia enfatiza a natureza participativa do diagnóstico local. Mesmo assim, existem vários tipos de diagnósticos participativos, seja porque adotam metodologias diferentes, seja porque têm focos diferentes. Em geral os diagnósticos, tanto os técnicos quanto os participativos, preocupam-se apenas com potencialidades e viabilidades econômicas e com carecimentos e necessidades em diversas áreas. Assim, freqüentemente, deixam de levar em conta as potencialidades humanas e sociais presentes.
A metodologia adotada sugere organizar as informações em dois mapas: o Mapa dos Ativos (o que já temos – os recursos de toda ordem, as potencialidades que podem ser dinamizadas – para atingir o futuro desejado) e o Mapa das Necessidades (quais os problemas que devemos superar, os obstáculos que devemos contornar e os carecimentos que devemos satisfazer para percorrer o caminho em direção a tal futuro). Além disso, prevê-se aproveitar o momento de realização do diagnóstico para calcular indicadores que permitam medir e acompanhar, com mais objetividade, a efetividade do processo de desenvolvimento que está sendo induzido.
O Seminário de Visão de Futuro é um passo preparatório para a elaboração do Diagnóstico dos Ativos e das Necessidades e do Plano Participativo porque, via de regra, vemos o que queremos ver ou o que estamos predispostos a ver. Portanto, quando uma coletividade vai fazer um diagnóstico é importante que ela já tenha exercitado a sua capacidade de imaginar e desejar um futuro alternativo, para espanar aquela poeira da tradição que não lhe permitirá enxergar claramente o que está mais adiante.
Todavia, muitas vezes, o chamado diagnóstico não passa de uma soma de informações sobre a localidade levantadas junto a instituições governamentais e não-governamentais juntamente com um levantamento de potencialidades e vocações econômicas. Além destes dados, são também levantados dados secundários em bancos de dados municipais no estado, no governo federal, universidades, projetos e programas que já foram realizados, etc. Tudo isso, por certo, é muito útil. Mas não é suficiente, pois algumas informações devem ser colhidas em campo.
Na metodologia adotada a elaboração do Diagnóstico dos Ativos e das Necessidades será feita com base em um roteiro de questões objetivas – auxiliados por pesquisa complementar concomitante.
FORMULÁRIOS PARA MAPA DOS ATIVOS E DAS NECESSIDADES
(O número mínimo de questionários é igual ao número previsto para conectados à Rede na localidade escolhida).
MAPA DOS ATIVOS
1 - Existe alguma área de proteção ambiental na localidade? Qual(is)? Onde? (Colocar o(s) nome(s), as características e o(s) endereço(s) da(s) área(s)).
2 - Existem terrenos ou prédios vazios ou abandonados? (Nomes, características, propriedade e endereços).
3 - Onde é depositado o lixo da localidade? E o que é feito com ele depois?
4 - Quais as rádios comunitárias ou particulares ou governamentais/para-governamentais funcionam ou transmitem sinal na região? (Nome, endereço, nome, e-mail e endereço do responsável).
5 - Quais são os jornais, revistas ou boletins da localidade? (Nome da publicação, tipo, tiragem, nome, e-mail e endereço do responsável).
6 - Como se faz para anunciar algo importante e alcançar o maior número possível de pessoas na localidade (comunicação)?
7 - Quantas empresas existem na localidade? Qual o porte delas (grande, média, pequena e micro)?Quantas escolas públicas e/ou particulares existem na localidade? (Nome, endereço, nome, e-mail e endereço do responsável) Listar inicialmente as escolas que estão engajadas nos programas Escola Aberta e Abrindo Espaço e em outras iniciativas comunitárias.
9 - Existem faculdades e/ou universidades? Quais? (Nome, endereço, nome, e-mail e endereço do responsável).
10 - Quais agências bancárias atuam na localidade? (Nome, endereço, nome, e-mail e endereço do gerente).
11 - Existem reservas indígenas? Quais e onde?
12 - Quais são os postos de saúde ou hospitais que atendem a localidade? (Nome, endereço, nome e e-mail do responsável).
13 - Quais movimentos populares atuam na localidade (sem-terra, sem teto, ambiental, etc.)? (Nome, tipo, endereço, nome, e-mail e endereço do responsável).
14 - Quais são as ONGs que atuam na localidade (incluindo associações, clubes de mães, grupos ambientalistas etc.)? (Nome, tipo, endereço, nome, e-mail e endereço do responsável).
15 - Quem são os agentes comunitários de saúde (e outros agentes)? (Nome, endereço, telefone e e-mail).
16 - Quantos são os postos policiais, bombeiros, SAMU, que atuam na localidade? (Recolher dados secundários).
17 - Quais programas e projetos governamentais atuam na localidade (federais, estaduais, e municipais) com a participação da população? (Listar e descrever) (Nome, tipo, endereço nome, endereço e e-mail do responsável na localidade. Recolher dados secundários).
18 - Quais programas e projetos não governamentais atuam na localidade (federais, estaduais, e municipais) com a participação da população? (Listar e descrever) (Nome, tipo, endereço nome, endereço e e-mail do responsável na localidade).
19 - Quantas livrarias e bibliotecas existem na localidade? (Nome, endereço, nome, endereço e e-mail do responsável).
20 - Quantos telecentros existem na localidade? E cyber cafés ou lan-houses? (Nome, tipo, endereço, nome e e-mail do responsável).
21 - Existe alguma festa típica ou comemoração na localidade? Quais? (Nome, tipo, endereço onde se realiza, nome e e-mail de um responsável).
22 - Existe alguma tradição culinária específica da localidade? (Nome, tipo de culinária, endereço de um responsável).
23 - Quem são as principais personalidades da localidade (pessoas reconhecidas dentro e fora da localidade)? (Nome, endereço, e-mail).
24 - Quem são os conselheiros (de conselhos de políticas públicas) que moram (ou atuam) na localidade? (Nome, conselho a que pertence, endereço e e-mail).
25 - E os líderes espirituais? (Nome do líder, endereço, e-mail, nome do movimento espiritual, igreja, religião, seita ou similar).
26 - E os desportistas de renome municipal, estadual ou nacional? (Nome do desportista, endereço, e-mail, tipo de esporte).
27 - E os artistas e intelectuais de renome municipal, estadual ou nacional? (Nome do artista ou intelectual, endereço, e-mail, tipo de trabalho que realiza).
28 - Como é a infra-estrutura de serviços (latu sensu) da localidade? Não valem dados secundários: recolher a opinião das pessoas entrevistadas. Classificar segundo as notas seguintes: 5 = Ótimo; 4 = Bom; 3 = Regular; 2 = Insuficiente; 1 = Totalmente insatisfatório; 0 = Ausente.
Água
Energia elétrica
Limpeza Urbana
Esgotamento sanitário
Escoamento pluvial
Lazer
Saúde
Educação
Transporte coletivo
Pavimentação
Iluminação pública
Segurança pública
Moradia
Acessibilidade
Outros serviços
29 - Quais são os principais recursos naturais da localidade? Listar apenas os principais.
30 – O que mobiliza a população da localidade (festa, comemoração, campeonato ou outro evento)? Listar os eventos, se possível registrando o nome, endereço e e-mail dos responsáveis.
31 - Quais as iniciativas de desenvolvimento local que existem na localidade? Listar apenas aquelas ações realizadas em parceria.
32 - Qual o principal ativo da localidade?
MAPA DAS NECESSIDADES
1 - Quais são as gangues que atuam na localidade? (Nome e características das gangues, crimes que cometem, bairros onde atuam etc.).
2 - Quais os principais problemas com lixo, poluição e degradação ambiental?
3 - Quais os principais problemas de falta de infra-estrutura de serviços (latu sensu) na localidade?
Água
Energia elétrica
Limpeza Urbana
Esgotamento sanitário
Escoamento pluvial
Lazer
Saúde
Educação
Transporte coletivo
Pavimentação
Iluminação pública
Segurança pública
Moradia
Acessibilidade
Outros serviços
4 - Quais os casos notórios de corrupção e impunidade de autoridades ou representantes políticos e de “representantes” sociais na localidade? A) Representantes políticos e seus prepostos; B) “Representantes” sociais.
5 - Quais os casos notórios de discriminação política e perseguição política?
6 - Quais os casos notórios de incompetência do governo na localidade? Identificar e datar os casos apontados..
7 - Como é o clima da participação política na localidade? (Competição exacerbada, clima adversarial, sectarismo, partidarização excessiva, representacionismo, assembleísmo, assistencialismo, clientelismo, centralização) Apreciação qualitativa (subjetiva do entrevistado).
8 - Como é o clima da convivência social na localidade? (Hostil, astral carregado, falta de humor, de simpatia e de gentileza, de delicadeza)? Apreciação qualitativa (subjetiva do entrevistado).
9 - Qual a taxa de rotatividade na direção das organizações representativas e nas organizações expressivas da sociedade civil da localidade? (Para fazer uma apreciação qualitativa o entrevistador deve verificar a rotatividade em dez organizações da sociedade civil da localidade, escolhidas ao acaso, em bairros diversos).
10 - Como são cuidadas pela população as construções, praças e espaços públicos na localidade? Apreciação qualitativa (subjetiva do entrevistado).
11 - Qual a principal necessidade da localidade?
12 - Quantos são os dependentes beneficiários na localidade (bolsa família, vales)? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairro.
13 - Quantos são analfabetos na localidade? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairro.
14 - Quais as taxas de distorção idade-série (ou outro indicador de insucesso) repetência e evasão escolares no ensino fundamental? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairros.
15 - Qual a relação ingresso no ensino médio/ingresso no ensino fundamental no mesmo ano? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairros.
16 - Quantos são as crianças, os idosos, e as pessoas portadoras de necessidades especiais abandonados ou necessitando de cuidados? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairros.
17 - Quais são os casos de pedofilia, violência e abuso contra crianças e jovens? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairros.
18 - Quantos foram os casos de violência contra a mulher (no último ano)? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairros.
19 - Quantos foram os casos de trabalho infantil (no último ano)? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairros.
20 - Quantos foram os casos de violência doméstica (no último ano)? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairros.
21 - Quantos foram os casos de crime (e violência em geral) nesta localidade (no último ano)? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairros.
22 - Quantos foram os casos de gravidez precoce entre os jovens (no último ano)? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairros.
23 - Quantos passam fome ou estão em condição de desnutrição na localidade (no último ano)? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairros.
24 - Quantos são os dependentes químicos e de álcool na localidade? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairros.
25 - Quais são as principais doenças endêmicas e epidêmicas registradas? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairros.
26 - Quantos são os casos de DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e AIDS na localidade? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairros.
27 - Quantos são os doentes mentais? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairros.
28 - Quais os casos de discriminação por etnia, língua, nacionalidade, religião, ou opção sexual? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairros.
29 - Quantos são os que se encontram em situação de desemprego, subemprego ou falta de ocupação? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairros.
30 - Quem são os sem-teto na localidade? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairros.
31 - Quem são os sem-terra na localidade? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairros.
32 - Quantas são as vilas (favelas) na localidade? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairros.
33 - Quantas são as construções precárias ou em terreno de risco na localidade? Recolher dados secundários, se possível, abrindo por bairros.
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